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Tese de doutoramento investiga adesão ao tratamento odontológico em adolescentes vulneráveis

Estudo desenvolvido pela cirurgiã dentista Jaqueline Vilela Bulgareli, na área de Saúde Coletiva, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), Conclui-se que os adolescentes que vivem com família que recebe renda inferior a R$ 1500.00 reais e que tenham acima de 6 pessoas morando na mesma residência apresentou uma menor adesão ao tratamento odontológico. Ao mesmo tempo, a presença de impacto oral nas atividades diárias representa uma pior situação de saúde bucal dos que não aderiram ao tratamento, influenciando na qualidade de vida dos adolescentes. Os cuidados da família para com o adolescente podem influenciar os filhos nas decisões importantes com relação a adesão, principalmente em relação as “regras saudáveis” fiscalizadas pelo cuidador. E, por fim, a compreensão dos sentimentos, ideias e comportamentos dos adolescentes em relação a sua saúde e doença, ressignifica questões que fortalecem a promoção da saúde, enfatizando a articulação intersetorial e multidisciplinar. A pesquisa teve orientação do professor Antônio Carlos Pereira, da área de Saúde Coletiva.

O trabalho foi baseado em uma pesquisa quanti qualitativa, realizada por meio de dois estudos longitudinal analítico e dois qualitativos conduzido no município de Piracicaba, São Paulo, no período de 2013 e 2015, teve o objetivo de avaliar a adesão ao tratamento odontológico de adolescentes em situação de vulnerabilidade social e suas relações com as variáveis individuais, contextuais, familiares e qualidade de vida.

Na fase, intitulada “Adesão ao tratamento odontológico de adolescentes em situação de vulnerabilidade social: abordagem quanti qualitativa” foi realizado o exame clínico para obter as informações de condição de cárie e doença periodontal, com uma amostra aleatória probabilística de 1179 adolescentes de 34 Unidades de Saúde da Família (USF).

Já na fase final (reavaliação), explica Jaqueline, a amostra foi constituída de 476 adolescentes encaminhados tratamento de cárie e/ou doença periodontal nas unidades de saúde durante a fase inicial. Após 18 meses foram reavaliados 325 indivíduos para investigar se eles aderiram ao tratamento odontológico proposto na fase inicial.

As variáveis individuais, contextuais, comportamentais e psicossociais foram coletadas utilizando questionário socioeconômico, OIDP, WHOQOL, entrevistas em profundidade e grupos focais. A análise dos dados das variáveis individuais e contextuais com a adesão ao tratamento odontológico foi estimada nos modelos de regressão logística multinível e por meio de modelos lineares generalizados (PROC GENMOD do programa SAS).

Avaliou-se, ainda, a associação da qualidade de vida (WHOQOL) e o impacto sócio dental (OIDP) nos dois tempos estudados (inicial e final). Na fase qualitativa, as entrevistas e o grupo focal foram gravadas e transcritas, os dados agrupados por categorias e identificados os temas chave permitindo a análise temática e a fenomenológica. Houve uma taxa de não adesão ao tratamento alta na amostra estudada (49,5%).

No primeiro artigo, as variáveis, renda familiar e aglomeração foram associadas à não adesão ao tratamento odontológico.Com referência ao segundo artigo, a qualidade de vida dos adolescentes vulneráveis melhorou nos dois tempos estudados (inicial e final medida pelo WHOQOL). Por sua vez, houve um maior impacto das atividades diárias (OIDP) nos participantes que não aderiram ao tratamento odontológico e, consequentemente, piora na qualidade de vida. Para a pesquisa qualitativa (terceiro artigo), os cuidados em saúde que a família possui com o adolescente foram relacionados ao “cumprimento/descumprimento de regras saudáveis”, como também a “adesão/não adesão ao tratamento”. No quarto artigo, os sentidos de saúde e doença atribuídos pelos adolescentes foram agrupados em quatro temas: “concepções sobre saúde e doença”; “determinantes e condicionantes em saúde e doença”; “saúde bucal” e as “relações humanas, os sentimentos e a saúde”, conta a pesquisadora.

 

 

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