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Ciência Forense

Palestra na FOP aborda linha de pesquisa que trabalha com nova ferramenta para formação de hipóteses

Com objetivo de expor à comunidade os resultados recentes obtidos por meio de pesquisas no Programa de Pós-Graduação em Biologia Buco Dental, a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp promoveu a palestra “Simulações Computacionais Aplicadas à Balística Forense", na manhã dessa sexta-feira, dia 31, no salão nobre Plínio Alves de Moraes. Os professores Alexandre Rodrigues Freire, da área de Anatomia, e Marcio Barhun, professor de armamento e tiro da Academia de Polícia Civil, destacaram a importância de usar as pesquisas na investigação de crimes e fazer a aproximação entre Polícia, Ministério Público, Justiça e Universidade. Participaram do evento, além do diretor, professor Francisco Haiter Neto, delegados, promotores, juízes e alunos de pós-graduação.

Foram apresentadas pesquisas realizadas dentro da área de Ciências Forenses utilizando a ferramenta de Método dos Elementos Finitos, a qual possui alto potencial para geração de hipóteses. “Procuramos mostrar no computador algumas situações que não são reais, genéricas, para vermos se a análise funciona, utilizando ferimentos por arma de fogo. No computador, simulamos o impacto do projetil, que pode ser de vários calibres, perfurando a estrutura óssea do crânio e gerando uma fratura, orifício na região do impacto. O computador fornece todas as informações, situação de energia, velocidade e deformação que o projetil sofre. Este último, é um ponto considerado importante pelos peritos”, conta o professor Rodrigues.

“No Brasil, só a FOP desenvolve esse tipo de trabalho. A visão que temos é muito mais voltada para a realidade. Trata-se de um método computacional, uma nova maneira para abordar os estudos de balística. Até então, os trabalhos eram realizados apenas de forma laboratorial, explica o pesquisador e, acrescenta, que o método tem suas vantagens e suas limitações. A ferramenta não tem a finalidade de substituir os métodos já existentes. Um método complementa o outro”.

A linha de pesquisa teve início em 2014 com a realização da tese de doutorado defendida pelo aluno Rodrigo Ivo Matoso. O trabalho serviu como projeto piloto para avaliar a viabilidade do estudo, o qual mostrou, que, por meio da ferramenta de Método de Elementos Finitos, é possível identificar que existe diferença no formato do orifício dependendo do calibre utilizado.

A dissertação de mestrado defendida em 2017, pela aluna Flavia Teixeira Costa, teve como objetivo avaliar a distância do tiro, assim como o disparo realizado na mandíbula. “Buscamos explorar um outro osso, já que o mais comum são disparos realizados no osso do neurocrânio (cabeça). Constatou-se que tanto a distância como o tipo de osso interferem no formato da ferida, além de avaliar a deformação do projétil. Esse é um dado muito importante utilizado pelos peritos na hora de fazer a reconstituição de um crime.

Já, a dissertação de mestrado defendida pela aluna Larissa Lopes Rodrigues conseguiu calcular a perda de energia do projetil ao atravessar o osso do crânio, além do formato da ferida e da deformação do projetil. Esse estudo é importante, pois há casos em que o projetil fica alojado na cabeça e há casos que atravessa o osso e se perde. A partir dessas diferenças, o que determina se o projetil vai atravessar a cabeça ou ficará parado é a energia que se perde no trajeto, conta Alexandre.

A palestra mostrou para a sociedade que é possível transferir esse tipo de método computacional para casos reais. Entretanto, ainda não é possível utilizá-lo, pois faltam informações que necessitam ser coletadas para que o computador possa ser configurado, desta forma, se aproximando ainda mais da realidade. De posse dessas informações, que serão fornecidas pelos profissionais, como peritos criminais, será dado início a próxima etapa - validação do método -, quando serão feitas simulações em casos reais e, posteriormente, utilização da ferramenta em casos que há falta de evidências. “Os resultados iniciais foram além do esperado. Acredito que o método possa ser utilizado na prática em médio ou curto prazo”, avalia Alexandre.

O professor Barhun abordou a parte investigativa e a importância de usar as pesquisas na investigação criminal, além de fazer a aproximação entre Polícia, Ministério Público, Justiça e Universidade.

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