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Câncer é causa frequente de morte entre crianças

FOP e Boldrini traçam perfil epidemiológico de pacientes pediátricos com câncer – estudo demonstrou que os linfomas são tipo de câncer mais frequente em cabeça e pescoço, afetando principalmente meninos com 9 anos de idade.

É de notório conhecimento que o câncer, há mais vinte anos, representa a segunda causa mais frequente de morte no mundo e no Brasil, sendo que a maioria dos casos está associada a hábitos (principalmente tabagismo e etilismo) e ao estilo de vida (sedentarismo). Dentro desse cenário, estabeleceu-se um desafio ainda mais intrigante, o aparente aumento no número de crianças afetadas por tumores malignos na ausência de fatores de risco bem reconhecidos, como aqueles descritos para adultos.

DSC 4455 01Nesse contexto, uma recente colaboração entre pesquisadores do Centro Infantil Boldrini de Campinas –um dos maiores centros de oncologia pediátrica da América Latina– e do Programa de Pós-Graduação em Estomatopatologia (PPG-E) da Faculdade de Odontologia de Piracicaba-Unicamp (FOP), se dedicou a preencher a lacuna, em termos científicos, da falta conhecimento acerca do perfil epidemiológico, clínico e patológico de pacientes brasileiros afetados por câncer de cabeça e pescoço na infância.

O trabalho de pesquisa em questão foi tema da dissertação de Mestrado da cirurgiã-dentista de origem colombiana Paola Aristizabal Arboreda e foi defendida recentemente no âmbito do PPG-E, sob a orientação do professor Alan Roger dos Santos Silva, que atua junto ao Departamento de Diagnóstico Oral da FOP. O estudo foi desenvolvido no Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP), sob a coordenação da professora Regina Maria Holanda de Mendonça, Cirurgiã-Dentista do Hospital Boldirini, Pesquisadora Colaboradora do Departamento de Diagnóstico Oral da FOP, e investigou a distribuição demográfica e clinicopatológica dos tumores malignos de cabeça e pescoço dos pacientes pediátricos (0 a 19 anos de idade) tratados no Boldrini no período entre 1986 a 2016.

O estudo mostrou que o perfil demográfico mais frequente dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço é composto por crianças com média de 9 anos de idade; os meninos foram mais afetados do que as meninas; dentro da região de cabeça e pescoço a área mais afetada pelo câncer foi o pescoço (e os nódulos linfáticos cervicais) e os linfomas foram o tipo mais comuns de câncer nesse contexto.  “O fato dos linfomas predominarem na região de cabeça e pescoço de crianças brasileiras parece ser uma peculiaridade da população investigada por que estudos semelhantes realizados em outras partes do mundo, sobretudo em países desenvolvidos, sugerem que os sarcomas são o subtipo de câncer mais comum”, contextualiza o Professor Santos-Silva. É a primeira vez que que os resultados de um estudo robusto, baseado, nesse caso, em uma experiência de 30 anos de um serviço de referência, que avalia o perfil epidemiológico de crianças com câncer de cabeça e pescoço no Brasil é publicado em um periódico internacional indexado.

Os resultados da dissertação em discussão foram publicados na edição do mês de agosto de 2018 do prestigioso periódico Journal of Oral Pathology & Medicine, publicação oficinal da International Association of Oral Pathologists, editado no Reino Unido. A equipe editorial do periódico selecionou o artigo dos pesquisadores brasileiros para ilustrar a capa do jornal no mês de agosto: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/jop.12634

net1De acordo com o Professor Alan, o estudo apontou que pacientes brasileiros pediátricos com câncer de cabeça e pescoço são afetados com maior frequência pelos seguintes tipos histopatológicos de tumores malignos: linfomas de Burkitt; linfomas Hodgkin tipo esclerose nodular; carcinomas nasofaríngeos e rabdomiossarcomas. As principais regiões anatômicas afetadas foram o pescoço e os linfonodos cervicais; a nasofaringe e a glândula tireóide. A média de idade dos pacientes masculinos no momento do diagnóstico foi de 9,35 anos e os pacientes na faixa etária entre 10 a 14 anos apresentaram maior prevalência de tumores malignos. “Esta publicação é considerada original, no escopo da literatura científica em língua inglesa, no que diz respeito a populações pediátricas latino-americanas, menciona Paola, atualmente doutoranda do PPG-E, que segue desenvolvendo trabalhos nessa linha de pesquisa.

A Dra. Regina adicionou que apesar de se tratar de estudo retrospectivo, foi baseado nas características demográficas, clinicas e patológicas, de uma população muito representativa em termos históricos (30 anos de experiência Boldrini) e também em termos de volume de pacientes investigados. A título de exemplo, os pesquisadores se debruçaram sobre informações médicas de 7.181 crianças e adolescentes com câncer tratados no período em questão pela equipe do Centro Infantil Boldrini, dos quais 367 foram tratados por câncer na região de cabeça e pescoço.

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