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Comissão Interna de Biossegurança da FOP

  • Publicado em Cibio

A Comissão Interna de Biossegurança (CIBio) da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) foi instituída pela Portaria Interna nº 12/2015 de 29 de abril de 2015, para cumprimento da Resolução Normativa nº 01, de 20 de junho de 2006, da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança-CTNBio, do Ministério da Ciência e Tecnologia, cuja constituição e funcionamento foi estabelecido pela Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005. A criação da CIBio-FOP foi aprovada e homologada pelo CTNBio (processo nº 01200.001885/2015-65) baseada no parecer técnico nº 4.665/2015 e publicada no Diário Oficial da União em 14/08/2015.

As CIBios são componentes essenciais para o monitoramento e vigilância dos trabalhos de engenharia genética, manipulação, produção e transporte de OGMs e para fazer cumprir a regulamentação de Biossegurança. Como um órgão de natureza analítica, orientadora em assuntos de biossegurança e trabalho em contenção de OGMs, a CIBio-FOP tem a finalidade de assessorar, analisar e emitir pareceres quanto aos aspectos técnicos de biossegurança de todos os procedimentos científicos a serem desenvolvidos na FOP-UNICAMP que envolvam a manipulação de OGMs, considerando a legislação vigente, a relevância do propósito científico e os impactos de tais atividades sobre o meio ambiente e a saúde pública.

Profa. Dra. Renata de Oliveira Mattos-Graner

Presidente da CIBio

Área: Microbiologia e Imunologia
Departamento de Diagnóstico Oral – FOP/UNICAMP

cibiofop@unicamp.br

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Aerossóis

  • Publicado em Biossegurança

Agente líquido ou solução dispersa no ar sob a forma de uma fina névoa, passíveis de permanecer flutuando por longo período de tempo. É uma suspensão de micropartículas sólidas ou líquidas com dimensões de 0,1 a 50 micrômetros.

Penetram no organismo através das vias aérea e ocular.

Podem ser produzidos principalmente pelos motores de alta e baixa rotação, raspadores ultrassônicos e pelas seringas tríplices.

O M. tuberculosis já foi encontrado nos aerossóis odontológicos.

Micik e cols. conceituam o aerossol odontológico como sendo partículas menores que 50 micrômetros e partículas acima disto são denominadas de espirros. As partículas menores que 50 micrômetros são as que representam maior risco, pois estas é que são capazes de penetrar na árvore respiratória.

O aerossol em si não deve ser confundido com a névoa (spray), o gotejamento e o espirro. É constituido por partículas invisíveis, que são oriundas das névoas produzidas.

A detecção do HIV nos aerossóis é muito pouco provável, já que sua concentração no sangue é geralmente bem menor que a do HBV. 

As linhas de água e as peças de mão podem ficar muito contaminadas.

Os microrganismos podem ser introduzidos na peça de mão no tratamento de um paciente e infectar o próximo. Toda vez que retiramos o pé do pedal de um aparelho de alta rotação há uma aspiração por alguns instantes mesmo que o instrumento rotatório seja equipado com válvula anti-retração.

O CDCP (Centers for Disease Control and Prevention) e a ADA (American Dental Association) sugerem que as linhas de água devem ser acionadas no início dos trabalhos para diminuir a contaminação que se acumulou durante a noite e entre os pacientes para reduzir contagem de microganismos aspirados do paciente anterior.

Diminuindo a produção de aerossóis

Estratégias para diminuir o risco do aerossol em consultórios/clínicas odontológicas:

  • coloque o paciente na posição mais adequada.
  • nunca use a seringa tríplice na sua forma em névoa (spray) acionando os dois botões simultaneamente.
  • regule a saída de água de refrigeração. O dente precisa de refrigeração, mas não há necessidade de exageros.
  • paramentação.
  • use sempre que possível dique de borracha.
  • use sempre sugadores de alta potência.
  • o uso de colutórios anti microbianos antes do tratamento reduz a quantidade de microrganismos na cavidade bucal.
    Ex. clorexidina.

Referências Bibliográficas

  1. ESTRELA,C. Controle de Infecção em Odontologia. São Paulo: Artes Médicas, 2003. 188p.
  2. GUIMARÃES-Jr.,J. Biossegurança e controle de Infecção Cruzada em consultórios odontológicos. I.ed.2001.517p.
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Brocas

  • Publicado em Biossegurança

As brocas de baixa-rotação fabricadas em aço carbono e as brocas de alta-rotação fabricadas em aço carbide são utilizadas rotineiramente na prática odontológica para desgastar os tecidos dentários. Entretanto, estão sujeitas a contaminação por microrganismos presentes na saliva e, eventualmente contatam com sangue. Por esses motivos elas são consideradas como artigos contaminados e reguerem processamento adequado para novo uso.

Na prática odontológica diária os métodos físicos e químicos de esterilização e desinfecção podem determinar o aparecimento da corrosão nas brocas e, em alguns casos até mesmo antes de serem utilizadas.

Destaca-se que muitas são as ligas metálicas empregadas na fabricação destes instrumentos. Para exemplificar pode-se citar: aço carbono, aço inoxidável, tungstênio, níquel–titânio, entre outros.


A presença de corrosão sobre instrumentos de corte os inutiliza.

Entende-se por corrosão a deterioração de um material geralmente metálico, por ação química ou eletroquímica do meio ambiente aliada ou não a esforços mecânicos.

A deterioração causada pela interação físico-química entre o material e o seu meio operacional representa alterações prejudiciais indesejáveis, sofridas pelo material, tais como desgaste, variações químicas ou modificações estruturais, tornando-o inadequado para o uso. Jonhson et al. (citado por ZETTLEMOYER et al. 1989) relataram que corrosão resulta em decréscimo da eficiência de corte das brocas.

A corrosão é um modo de destruição do metal, que progride sobre sua superfície.

Quanto maior quantidade de carbono na liga, maior dureza e menor resistência a corrosão. Já a maior quantidade de cromo, oferece menor dureza e maior resistência à corrosão.

A fixação de oxigênio em um corpo faz com que ocorra a criação de ferrugem.

Segundo GENTIL (1996) a corrosão pode ocorrer sob diferentes formas, sendo apresentadas considerando-se a aparência ou forma de ataque e as diferentes causas da corrosão e seus mecanismos.


Formas de Corrosão:

  • Uniforme: em toda extensão da superfície, ocorrendo perda uniforme de espessura.
  • Por placas: se localiza em regiões da supefície, formando placas com escavações.
  • Alveolar: produz sulcos ou escavações semelhantes à alvéolos, apresentando fundo arredondado e profundidade geralmente menor que o seu diâmetro.
  • Puntiforme:em pontos ou em pequenas áreas localizadas na superfície produzindo pites (cavidades que apresentam fundo em forma angulosa e profundida de geralmente maior que do que o seu diâmetro).
  • Intergranular: a corrosão se processa entre os grãos da rede cristalina do material metálico.
  • Filiforme: finos filamentos, mas profundos, se propagam em diferentes direções, não se ultrapassam.
  • esfoliação: corrosão de forma paralela a superfície metálica.
  • grafítica: aspecto escuro, característica da grafite.
  • dezincificação: ocorre em ligas de cobre e zinco. Região com coloração vermelha.
  • empolamento pelo hidrogênio
  • em torno do cordão de solda: se observa em torno de cordão de solda, ocorre em aços inoxidáveis não esterilizados ou com teores de carbono maiores que 0,03% e a corrosão do tipo intergranular se processa.

Produtos utilizados no processamento dos artigos

Detergentes enzimáticos tem sido indicados para o processo uma vez que esses não afetam o metal dos instrumentos, agindo exclusivamente sobre a matéria orgânica digerindo-a.


ENDOZIME

É um detergente enzimático, à base de enzimas e surfactante não-iônico, com pH neutro, destinado a dissolver e digerir sangue, restos mucosos, fezes, vômito e outros restos orgânicos de instrumental cirúrgico, endoscópios e artigos em geral.

O Endozime mostra grande eficiência na remoção de resíduos.

É composto por álcool isopropílico à 10%, enzimas amilases à 25%, enzimas pro–teases à 25%, detergente não-iônico à 5%, corante à 0,5%, perfume à 0,5% e água q.s.p. à 100%.

Tem como características a economia, ser enzimático, possuir pH neutro (não abrasivo), atóxico, bacteriostático, 100% biodegradável.

Foi classificado como produto não irritante ocular e dérmico (testes feitos em coelhos). Estudos indicam que a solução de endozime na forma diluída e concentrada, foi bacteriostática para Pseudomona aeruginosa.


PREMIX SLIP

Com o intuito de prevenir a corrosão pode-se empregar lubrificantes.

Premix Slip é um lubrificante protetor e inibidor de ferrugem para instrumental em aço inoxidável.

Está na categoria de lubrificantes especializados para instrumentos cirúrgicos chamados de “leites minerais” que constitui-se basicamente de óleos minerais neutros com polímeros de hidrocarbonetos, o que consegue reunir todas as propriedades para resolver o problema da ferrugem e oxidação. Nesse produto une-se a propriedade de lubrificar para impedir a ferrugem, oxidação e trocas iônicas; ter ação residual (não deve ser removido para manter lubrificação) e proteger (possui resistência térmica propiciando lubrificação permanente); devendo manter-se sem alterações físico-químicas após autoclavagem e atoxidade. Além dessas propriedades o Premix slip é permeável ao vapor, autoclave e ETO (óxido e etileno).

É composto por detergente não-iônico (nonil fenol 9,5 MOZ à 7%), óleo lubrificante mineral à 40%, sabão emulsificante neutro à 2,5%, água q.s.p. à 100%.

As características desse produto são: ser econômico, apresentar resistência témica e comportamento atóxico.

Obs.: Tanto o Endozime quanto o Premix slip demonstraram deixar os materiais livres de sujidade, de manchas de corrosão e de ferrugem. Removem totalmente sangue e proteínas dos instrumentais em três minutos.


SEKUDRILL

É uma combinação de produtos que tem ação desinfetante e desincrostante simultâneas com eficácia internacionalmente comprovada frente a bactérias, fungos e vírus (inclusive vírus da AIDS – HIV e vírus da hepatite B – HBV).

Desenvolvido exclusivamente para uso em instrumentais odontológicos (instrumentos rotativos de precisão – brocas).

É composto por substâncias antimicrobianas, surfactantes não-iônicos e inibidores de corrosão; princípios ativos em 100 gramas de Sekudrill contem: 5 gramas de hidróxido de potássio e 50 gramas de propilenoglicol.

Depois de lavado com água deve-se secar com papel toalha, embalar e levar a autoclave para esterilização. O Sekudrill não é recomendado para artigos de alumínio. Apresenta eficácia bacteriológica contra germes gram-positivos e gram-negativos, quando usado na forma não diluída (100%), é eficaz contra Candida albicans no teste de suspensão quantitativa num período de 5 minutos.

Tem como propriedades ser efetivo frente ao vírus da hepatite B e HIV; efetivo contra bactérias e fungos; solução pronta para uso; para aplicar com ou sem ultrasom; alta propriedade de limpeza; tempo de atuação extremamente curto; previne corrosão sobre os instrumentos; odor agradável.

A solução do Sekudrill age sobre o vírus da hepatite B, não importando que seja empregada num meio parcialmente limpo, com presença de albumina ou sob ação adicional do ultra-som. Foram feitos testes com diversos artigos como por exemplo: brocas em metal duro; brocas em aço; fresas para osso (Linderman); brocas e fresas cirúrgicas, instrumentos para tratamento de canal; pontas abrasivas em liga cerâmica; pontas diamantadas para desgaste; pontas de silicone (borracha para polimento). Foram repetidos três vezes com cada instrumento. Não verificou-se qualquer avaria ou dano nos instrumentos empregados no teste, ou seja, “Sekudrill” pode ser considerado como totalmente compatível com os instrumentos odontológicos rotatórios.

São poucos os estudos publicados que avaliaram a presença de corrosão sobre brocas, após seu reprocessamento.

Para o adequado controle da incidência de corrosão sobre brocas esterilizadas em autoclave deve-se utilizar o SEKUDRILL no reprocessamento de brocas fabricadas em aço carbide e a solução de nitrito de sódio a 1% após a lavagem para as brocas de aço carbono.

Os piores métodos foram aqueles em que foram utilizados soluções químicas para desinfecção.


Referências Bibliográficas

  1. FERREIRA, Erica Lopes et al. Avaliação do efeito dos processos de esterilização e desinfeção em brocas de aço carbono e aço carbide associados ou não ao uso de lubrificantes. Ver. ABO Nac. v.8, n.6, p. 375-381, Dez 2000/Jan 2001.
  2. ZETTLEMOYER, Terry L., GOERIG, Albert C., NAGÔ, William W., GRABOW, Wayne. Effects of sterilization procedures on the cutting efficiency of stainless steel and carbon steel Gates Glidden drills. J. Endod. v. 15, n.11, p. 522-525, Nov. 1989.
  3. GENTIL, Vicente. Corrosão. 3.ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996
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